A Lenda do Ronin e da Bruxa

 


Kamui e Kaguya eram dois irmãos filhos de ronins, um bando que andava por Tian Xia em busca de sobrevivência. Eram tempos sombrios, armas eram confiscadas, a fome e a opressão eram sempre uma constante por onde quer que iam... Até que o jovem teve que se despedir da sua irmã...

A promessa de trabalho era rara e a única coisa lucrativa que existia era denunciarem onde estavam, por isso podiam ficar em cidades menos tempo ainda. Kamui ainda se lembrava da irmã, de como ela o fazia rir, apesar de todas as dificuldades...

Tempos depois, só restou ele e seu pai. O velho decidiu que teriam que pegar a estrada novamente. Ele já não estava bem de saúde, não iria durar muito mais, mas ainda assim não havia o que fizesse mudar de ideia.

Finalmente chegaram até um lugar numa floresta e Kamui foi instruído a cavar. Cada vez que ele o fazia, uma parte de uma lâmina gigante se mostrava, e, por fim, uma espada larga, uma nodachi. 

- Mesmo se conseguíssemos vendê-la, ela não resolveria nossos problemas... Assim como a venda da Kaguya... Filho... por favor, me mate! Eu não consigo mais viver com essa vergonha... 

Kamui nunca tinha visto seu velho chorar, ainda mais assim. Era deplorável. 

Ao sair do fosso com a espada, o homem ainda estava lá curvado com a cabeça no chão. Demorou um tempo até que volta-se a falar:

- Mas, se é que eu posso pedir alguma coisa... Apenas, me prometa.... Prometa que irá buscá-la seja lá onde ela esteja! Use essa nodachi para limpar nossa honra!

Um vento forte soprou, como no último dia que tinha visto a irmã, Kamui se lembrou. Ele então pegou a katana que eles ainda tinham, depois de vender todas as outras, e a jogou próxima do seu pai, dizendo:

- Isso eu já iria fazer, você pedindo ou não! Mas a sua culpa... É um fardo que você mesmo deve carregar. Mate a si mesmo!

E assim foi feito. Kamui o enterrou depois na mesma cova de onde tirara a nodachi. Não iria queimá-lo, ele não merecia retornar à roda do tempo e seu próprio pai parecia concordar. 


Muito tempo se passou e ele não conseguiu encontrar nenhum rastro, até que ouviu sobre a recompensa pela cabeça de uma bruxa. Bom, ele precisava de trabalho também para sobreviver...

Lá chegando, em Shenmen, encontrou então a maldita criatura... Mas qual foi a sua surpresa ao descobrir que era a Kaguya!

- Meu lorde finalmente me recompensou, terei minha vingança!

Ela soltava raios pelas mãos enquanto ria maniacamente. Não era mais ela, mas Kamui ainda se recusava a acreditar. Desviando de mais um dos seus feitiços, disse:

- Irmãnzinha, você está sendo ludibriada! Rejeite esse poder! Você ainda pode se salvar! Você está até sacrificando crianças!

- Eu não tive direito a uma infância, porque elas teriam?!

E com um gesto com as mãos, ela paralisou o ronin. Após isso, começou a preparar um magia que parecia ser a final, com energia das trevas se acumulando ao seu redor. Kamui nunca tinha enfrentado um oponente tão forte assim... ele iria morrer.

Mas, ao lembrar-se daquele vento forte e daquele sorriso inocente da sua irmã quando jovem, ele libertou-se gritando e desferindo um golpe que poderia derrotá-la... Mas, algo bloqueou o golpe... a nodachi foi diretamente na joia que aparentemente a dava poder. O objeto bloqueou o golpe, mas foi partido e inutilizado para sempre. 

O corpo de Kamui também pagou o preço...

E foi olhando para essa lasca na joia que ele se lembrou de tudo.

Antes, só tinha memória de acordar dias depois de uma batalha, não mais no seu próprio corpo, mas num de um esqueleto... Um morto-vivo, com uma velha armadura e nodachi surradas.

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